quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Hidroponia.

Só o que trago, em mim, é inconstância...
Sentei-me no ponteiro do relógio,
Vi-o acelerar, para frente, bem rápido...
E raptada por um poema épico - olhos abertos.
O herói fugira.
Gangorrei, sentada na âncora do Navio,
Contando histórias sobre a água...
A liquidez dissolvera os fatos.
Vi-o, a partir de um momento cego,
Vi-o acelerar para trás.
E só o que trago em mim é inconstância...

Na encruzilhada, quatro caminhos segui.
Dois se perderam. Os outros dois também.
Zeraram o relógio. Esvaziaram-no.

Na encruzilhada, quatro caminhos segui.
Dois se perderam. Os outros dois, também?
De que são feitos os caminhos?

De pedras duras... piche preto, bem negro.
Preciso voar... nadando um salto em queda livre.
Mar, adentro. Céu a dentro.

Adentro-me.
Vejo o ponteiro vazio, a âncora nivelada.
Quatro caminhos, perdidos...

Não preciso de bússola.
Não preciso a vida, mas deveria.
É assim que vivem os homens...

É assim que vivem os homens.
E eu, mulher do cais, faço carregamentos.
Não me carrego, no entanto...
Eu, mulher do cais, 
Que sabe onde chegar, 
Mas não consegue partir.

Migalhas de possibilidades.

Reparto-me. Não me remonto. Não agora.
Porque o vento me sopra em pedaços
(migalhas)
E semeia minha infertilidade hidropônica.

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