quarta-feira, 28 de março de 2012

Disritmia




Intento contra o teu encontro
Um desencontro de reflexos.
Sem salto alto...
Agora a não há mais sentido em comprar sapatos.

Retiro estribo, me desenlaço.
Um som atonal tudo remonta.
À cavalgada...
Disfarço um riso e sigo como se nada tivesse mudado.

Esconder do tempo
A vontade de querer

sexta-feira, 23 de março de 2012

Espelhos.

Estou farta de cama e precisando de calma.
Esqueço a calçada, o calçado sórdido - que
Anda descalço disfarçando o tempo...
Preciso é passear a esmo... Paz e ar...
Olhar fotograficamente as coisas, com arte.
Com a sensibilidade chorosa de alguém
Cujas pernas, de tanto abraçarem o mundo,
Ficaram quebradas.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Ápeiron


Na ágora da estapafúrdia existencia,
Respostas agora.
Essa anti-natureza subatômica do ser,
Inquieto, incrédulo e questionador
E a ansiedade mundana de querer
Saber o mundo das coisas.
De ser a incerteza sincrética
E certa de que nada é.
Auto-destruiçao caligular
É querer pegar o mundo como gota dágua
Vê-lo escorrer entre dedos, entretanto,
Tal qual poesia boa, inevitada.
Levitar o insustentável
sendo-o.

J.

domingo, 4 de março de 2012

Os mergulhadores



Ontem fiz este poema sem motivo... e atraí motivos tantos que perdi o sono, calei a noite com meu choro... metade do meu desamor despregou a peça e "encenou o aceno de paz". Morri mil vezes às folhas tais que sobre o ar despencaram, plainando ligeiro pro chão, pro fundo. Sinto, além de tudo mais e mais um pouco, aquela mágua prolongada pelo tombo. Tombaram meu amor.
Que agora é monumento pichado pelos vandalismos da tua alma.



Os Mergulhadores

Guarda teu ser descontente no fundo falso do estrado
Deixa teu olhar estrábico,
matemático,
 racional...

Arte de encontrar é um desencontro insistente;
E sorrir, por vezes, é vazio inconsistente.
Velar, as vezes, é silêncio pedindo som...

Espera que o que falta uma hora se completa;
Que o suprimento é o desconforto da janela aberta
E o tempo nublado implorando um poema.

Aprende que viver é a fronteira
E atravessar é alto-mar
É mar adentro. 

Expansão em alma casmurra




Dissabor é o querer constante; o dissonar e provocar fagulhas de algo imemorial guardado na memória velha e desgostosa.  Uma música que soa como sino velho pendurado na porta da casa na roça. Aquele casebre em que se olha pela janela e se vê, além de cheiro de mato e árvores bem frondosas.

Janela aberta é mundo que não acaba mais.