quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

5 minutos e um Desejo





Feita de papel e rabiolas, lançaram-me vento à diante...
E vôo querendo um dia ultra-leve lá na tez do céu
Percorridas horas, a vida ao relento e à deriva de mim

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ontologia





Há uma criança em meu sono que veste minhas roupas
Anda tal qual fosse à júri: olhar penoso e poucas lembranças
Essa história é refeita, todas as vezes, com a bile gastro-emocional
De ter vivido algo não havido, fantasiado algo já despido e insistido tanto
Num espasmo.

Recorro à porta da frente e me calo.
Bastara entender que chocalho de candomblé
São ossos de galinha que o vento balança bem longe;
Que rio tem curso pra não ser inundação;
E que a gente faz barreiras, faz barragens
Por acreditar em ilusão.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desembarque



Aperto o desassossego pra ver se calo
Nos pés, o andar cansado
Cheio de arritmias,
O olhar de quem ficou na estação...
O corpo segue, balança num parque
Silencia a respiração infinita das cores...
Pincelo átomos pra ver onde há espaço
E adianto:
Céu sai de preto quando espera lumiar o dia.
Restaurante de homens é cocho.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pó, prateleira e papelaria



À mesa, a gente senta, em quatro, e se descobre
(Essa coisa de ser filho é compreensível...
Pais são fracos de propósito
Pra não ter que enfrentar natureza filial forte.
A gente cresce e sabe que eles também.
Mas eles não...)

- Vinho, descortiçar o corpo e ser.
Despir o ajuizamento seguro
E arriscar, serra à cima,
Uma ladeira bem grande
E sentir o topo da adrenalina
Deslizar vida à baixo... -

Depois um filme, a moda de duas menininhas,
Na história, num ônibus eram três
Três de julho de um ano na fotografia.
Escreveram uma amizade em quatro planos.

E a madrugada corre fazendo barulho
No silêncio que abraçava: a soleira da porta
A cozinha,
Na janela uma mangueira,
O quadro de luz e o vento, cantor assíduo
Para árvores-bailarinas dedicadas.

Ocorre que adentramos a porteira da manhã,
Montadas na poeira que o jipe deixou
Naquela estrada de terra...
Vem a chuva, adeus, vento:
Fomos ser sorvete
Fomos ser a tarde
Fomos ser dia-à-dia
E saudade


**Créditos pra foto tirada pela Barbarella - www.voosdifusos.blogspot.com

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Annus Vertere


Quebra-me, queda d'água:
"Nem tudo são cachoeiras"
Mas você é, também,
Aquela parte do caminho
"Não se vê o que não há dentro"
Sei...
"Você é tudo isso, já - 
E pode sê-lo agora...
E sempre...
De olhos fechados ou não"
Chove. Guarda-chuvas.
Apátridas...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pathos



E cada vez que ele fecha os olhos: um algoritmo
Que vem soprado em desejos aflitos,
Sorrateiro infinito já gasto pelo próprio tempo
Corrosivo...

Incompreender o compreensível é ensimesmar-se
É se apartar da coisa e ainda sê-la
Selando a porta, cerrando os dentes 
Já gastos pelo próprio tempo,
Corrosivo...

Hidrofluoreto de amônio (e a armadura que veste)
Limpador de alma frígida em frigideira,
Esturricada de amor como pedaços de bacon
Encharcados de óleo.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-


Relaxar o estado tônico e esperar as retinas desdilatarem, desfazerem o conflito e assimilarem a emoção de morrer cada dia com sobras de amor que soçobram, ao passarem de mim pra um quase você... Que recebe a metade como se fosse tudo... Que recebe o todo como se fosse isso e só... Como se fosse um riso, um rio de percurso desviado uma transfiguraçao que nao perfura, mas passa.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cúpula



Quase escrevi em prosa, hoje
Não fosse aquele verso molhado
(Não rimado e pouco trabalhado)
Que você fez ontem à noite, à madrugada...
Aquele verso físico, paradisíaco,
O meu inverso dístico...
A música do nosso idílio toca
Do teu modo ao meu.
E com toda nossa raposia,
Quando tudo já confuso cala,
As vidas tocam
Os corpos tocam
A campainha ressoa...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Trapézio



O útero dilacerado pelo teu sabor de água de chuva
Remonta-me poça por poça que o tempo pisou –
Menino travesso que sapateia a alma represa
E testa sua travessia num corpo trêmulo,
Contraído pela brisa que tocara
Seu corpo
Molhado