domingo, 15 de janeiro de 2012

Pó, prateleira e papelaria



À mesa, a gente senta, em quatro, e se descobre
(Essa coisa de ser filho é compreensível...
Pais são fracos de propósito
Pra não ter que enfrentar natureza filial forte.
A gente cresce e sabe que eles também.
Mas eles não...)

- Vinho, descortiçar o corpo e ser.
Despir o ajuizamento seguro
E arriscar, serra à cima,
Uma ladeira bem grande
E sentir o topo da adrenalina
Deslizar vida à baixo... -

Depois um filme, a moda de duas menininhas,
Na história, num ônibus eram três
Três de julho de um ano na fotografia.
Escreveram uma amizade em quatro planos.

E a madrugada corre fazendo barulho
No silêncio que abraçava: a soleira da porta
A cozinha,
Na janela uma mangueira,
O quadro de luz e o vento, cantor assíduo
Para árvores-bailarinas dedicadas.

Ocorre que adentramos a porteira da manhã,
Montadas na poeira que o jipe deixou
Naquela estrada de terra...
Vem a chuva, adeus, vento:
Fomos ser sorvete
Fomos ser a tarde
Fomos ser dia-à-dia
E saudade


**Créditos pra foto tirada pela Barbarella - www.voosdifusos.blogspot.com

Um comentário:

  1. júlia, que escrito lindo!
    você podia vir sempre pra escrever, assim, sempre também. =)

    ó o pretinho!

    beijos!

    ResponderExcluir