quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Flutua

Com feitos olhos
Fez vista grossa ao Engenho.
- "Estamos dispersos", dizia.
Corações cheios de primavera...
Entoando cantos de paz
Enquanto andorinhas zarpavam...
Voo distante,
Tilintar oscilante...
"Estamos dispersos", dizia.
Mãos dadas
Entre Atos;
Desatino de amor,
predestinados...

(   )

Insira mais um instante
Estante
Na foto, (o) caso:
Entrelace-lhes
Como antes,
Sempre,
Nunca antes.
É esse o caminho:
Nenhum navio circunscreve
Como a jangada o faz
À deriva dos despertos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Uma viagem



Malas embaralhadas à porta da rua.
Vivia na alameda do sonho;

Acordara atravessada por entremeios
Entrecruzados na esquina do agora.

Que espera? Nada. Não espera.
Vai indo parada. Olhando as avenidas

Entrecruzadas.

Se vai adiante, segue dois caminhos.
Estatica: dois caminhos.

É o sino que toca
É a sina que enrosca na gente.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Arquitetos





Desatino em descaminho
Outra vez.

Tez molhada, um incenso...
Rezo em contra-tempos
Que é pra desmarcar as horas do dia.

Espero um silêncio cálido...
Palavras de fim de tarde,
Vendo o  pôr-do-sol em companhia.

Alguém que desperta:
tira as cortinas das janelas
E entreolhares.

Planos de ar... que tetos!
Sofá, cama, mesa de centro:
Madeira de demolição pra construir a vida.

Me aqueço na lareira da tua casa:

Meu desatino,
Meu descaminho...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Pan-teísmo




A poesia da perda é verso que não há em mim.

Pacienciar o silencio à espera.
Despertar partes... devagar... 
Enfim, acreditar que um dia as coisas que foram
Hão de sê-las (até o fim) serenas
Na tristeza do poeta
Na vaguidão do interstício
Ou no Amor...
Que Há.

A pedra, o ocaso e o Amor




Carrega meu mundo nas costas
Minhalma em teu peito
Mochila cheia
Estrada a fora...
Estrados:
Sóis e lençóis
Meu lado ao lado do teu
Te ter paisagem:
De cima da pedra
Adentramos o mundo...
Meu sobressalto sobre o teu parapeito
E paro nele:
Me deparo em você:
Mil pores do sol para sempre, Amor.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SunShine





Sou a selva de pedras,
Ponte de amores naturalmente perfeitos,
Defeituosamente sincera;
Tua natureza rara
A carne desejosa de alma.
Um ar puro no filtro do cigarro
Um tabaco nativo, da terra...
A vontade, que espera:
O último primeiro pôr do sol
Para sempre ao teu lado.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Disritmia




Intento contra o teu encontro
Um desencontro de reflexos.
Sem salto alto...
Agora a não há mais sentido em comprar sapatos.

Retiro estribo, me desenlaço.
Um som atonal tudo remonta.
À cavalgada...
Disfarço um riso e sigo como se nada tivesse mudado.

Esconder do tempo
A vontade de querer

sexta-feira, 23 de março de 2012

Espelhos.

Estou farta de cama e precisando de calma.
Esqueço a calçada, o calçado sórdido - que
Anda descalço disfarçando o tempo...
Preciso é passear a esmo... Paz e ar...
Olhar fotograficamente as coisas, com arte.
Com a sensibilidade chorosa de alguém
Cujas pernas, de tanto abraçarem o mundo,
Ficaram quebradas.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Ápeiron


Na ágora da estapafúrdia existencia,
Respostas agora.
Essa anti-natureza subatômica do ser,
Inquieto, incrédulo e questionador
E a ansiedade mundana de querer
Saber o mundo das coisas.
De ser a incerteza sincrética
E certa de que nada é.
Auto-destruiçao caligular
É querer pegar o mundo como gota dágua
Vê-lo escorrer entre dedos, entretanto,
Tal qual poesia boa, inevitada.
Levitar o insustentável
sendo-o.

J.

domingo, 4 de março de 2012

Os mergulhadores



Ontem fiz este poema sem motivo... e atraí motivos tantos que perdi o sono, calei a noite com meu choro... metade do meu desamor despregou a peça e "encenou o aceno de paz". Morri mil vezes às folhas tais que sobre o ar despencaram, plainando ligeiro pro chão, pro fundo. Sinto, além de tudo mais e mais um pouco, aquela mágua prolongada pelo tombo. Tombaram meu amor.
Que agora é monumento pichado pelos vandalismos da tua alma.



Os Mergulhadores

Guarda teu ser descontente no fundo falso do estrado
Deixa teu olhar estrábico,
matemático,
 racional...

Arte de encontrar é um desencontro insistente;
E sorrir, por vezes, é vazio inconsistente.
Velar, as vezes, é silêncio pedindo som...

Espera que o que falta uma hora se completa;
Que o suprimento é o desconforto da janela aberta
E o tempo nublado implorando um poema.

Aprende que viver é a fronteira
E atravessar é alto-mar
É mar adentro. 

Expansão em alma casmurra




Dissabor é o querer constante; o dissonar e provocar fagulhas de algo imemorial guardado na memória velha e desgostosa.  Uma música que soa como sino velho pendurado na porta da casa na roça. Aquele casebre em que se olha pela janela e se vê, além de cheiro de mato e árvores bem frondosas.

Janela aberta é mundo que não acaba mais. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Retôrno



Sinto que morri em cada lembrança de ontem.
Estiquei o tempo, sem mais delongas, me perdi:
Sem prumo, sem vela, sem barco, sem mar...
Sinto o pó da estrada, a terra batida em mim;
No horizonte sereno sigo a pé, beirando o vento,
resvalando a correnteza, onda a onda, distante...
Agora, levo um amor bem grande na alma, corpo
E me sinto inteira; e sinto que me basto em você.




J.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Signo-Ideoscopia




Pré dispôs o verbo pra depois descolocá-lo
Macaco que é prego finca a mão ausente.
A mãe patente descriminaliza a terceirização
E a secundidade perdida em papéis de fogo.
As armas escritas entram em crise existencial.
Se gnomos voassem, ideoscopia;
Como não voam: assimetria do signo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Lamento



Vai, num desatino inconsistente do acaso,
Que a tua idade é tão eterna de presente...
Destino tênue, frívolo... Um instante...
E ficamos...
Ainda que sobrevivencia, sonhei, seja o ocaso
E que teu corpo reverbere a despedida
(distante),
Em nosso olhar, o conforto do teu colo...
Vai e nós sabemos...
Daqui a pouco nascerá um dia lindo:
O céu sorrindo, colorido de um aceno
Em paz...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Imo




Linha que datilografa o destino,
Foto que não tenho na estampa
À colcha em céus retalhada...
De olhares perdidos, abnegação :
Do que foi, do que tinha sido
(ou era pra ser, sabe-se lá...) ...
E um destino deflagrado e deflorado
E bem traçado, em mãos de costura:
Desenrolado carretel, a-dentro
Profunda maceração de morangos
De rugas, marcas... de queda livre...
Salto, alto; aguacera abaixo, espera
Com lençol posto na cama,
Mas em todos os segundos,
Todo amor.




*

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

5 minutos e um Desejo





Feita de papel e rabiolas, lançaram-me vento à diante...
E vôo querendo um dia ultra-leve lá na tez do céu
Percorridas horas, a vida ao relento e à deriva de mim

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ontologia





Há uma criança em meu sono que veste minhas roupas
Anda tal qual fosse à júri: olhar penoso e poucas lembranças
Essa história é refeita, todas as vezes, com a bile gastro-emocional
De ter vivido algo não havido, fantasiado algo já despido e insistido tanto
Num espasmo.

Recorro à porta da frente e me calo.
Bastara entender que chocalho de candomblé
São ossos de galinha que o vento balança bem longe;
Que rio tem curso pra não ser inundação;
E que a gente faz barreiras, faz barragens
Por acreditar em ilusão.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desembarque



Aperto o desassossego pra ver se calo
Nos pés, o andar cansado
Cheio de arritmias,
O olhar de quem ficou na estação...
O corpo segue, balança num parque
Silencia a respiração infinita das cores...
Pincelo átomos pra ver onde há espaço
E adianto:
Céu sai de preto quando espera lumiar o dia.
Restaurante de homens é cocho.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pó, prateleira e papelaria



À mesa, a gente senta, em quatro, e se descobre
(Essa coisa de ser filho é compreensível...
Pais são fracos de propósito
Pra não ter que enfrentar natureza filial forte.
A gente cresce e sabe que eles também.
Mas eles não...)

- Vinho, descortiçar o corpo e ser.
Despir o ajuizamento seguro
E arriscar, serra à cima,
Uma ladeira bem grande
E sentir o topo da adrenalina
Deslizar vida à baixo... -

Depois um filme, a moda de duas menininhas,
Na história, num ônibus eram três
Três de julho de um ano na fotografia.
Escreveram uma amizade em quatro planos.

E a madrugada corre fazendo barulho
No silêncio que abraçava: a soleira da porta
A cozinha,
Na janela uma mangueira,
O quadro de luz e o vento, cantor assíduo
Para árvores-bailarinas dedicadas.

Ocorre que adentramos a porteira da manhã,
Montadas na poeira que o jipe deixou
Naquela estrada de terra...
Vem a chuva, adeus, vento:
Fomos ser sorvete
Fomos ser a tarde
Fomos ser dia-à-dia
E saudade


**Créditos pra foto tirada pela Barbarella - www.voosdifusos.blogspot.com

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Annus Vertere


Quebra-me, queda d'água:
"Nem tudo são cachoeiras"
Mas você é, também,
Aquela parte do caminho
"Não se vê o que não há dentro"
Sei...
"Você é tudo isso, já - 
E pode sê-lo agora...
E sempre...
De olhos fechados ou não"
Chove. Guarda-chuvas.
Apátridas...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pathos



E cada vez que ele fecha os olhos: um algoritmo
Que vem soprado em desejos aflitos,
Sorrateiro infinito já gasto pelo próprio tempo
Corrosivo...

Incompreender o compreensível é ensimesmar-se
É se apartar da coisa e ainda sê-la
Selando a porta, cerrando os dentes 
Já gastos pelo próprio tempo,
Corrosivo...

Hidrofluoreto de amônio (e a armadura que veste)
Limpador de alma frígida em frigideira,
Esturricada de amor como pedaços de bacon
Encharcados de óleo.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-


Relaxar o estado tônico e esperar as retinas desdilatarem, desfazerem o conflito e assimilarem a emoção de morrer cada dia com sobras de amor que soçobram, ao passarem de mim pra um quase você... Que recebe a metade como se fosse tudo... Que recebe o todo como se fosse isso e só... Como se fosse um riso, um rio de percurso desviado uma transfiguraçao que nao perfura, mas passa.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cúpula



Quase escrevi em prosa, hoje
Não fosse aquele verso molhado
(Não rimado e pouco trabalhado)
Que você fez ontem à noite, à madrugada...
Aquele verso físico, paradisíaco,
O meu inverso dístico...
A música do nosso idílio toca
Do teu modo ao meu.
E com toda nossa raposia,
Quando tudo já confuso cala,
As vidas tocam
Os corpos tocam
A campainha ressoa...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Trapézio



O útero dilacerado pelo teu sabor de água de chuva
Remonta-me poça por poça que o tempo pisou –
Menino travesso que sapateia a alma represa
E testa sua travessia num corpo trêmulo,
Contraído pela brisa que tocara
Seu corpo
Molhado