terça-feira, 19 de julho de 2011

Desenvolvimento


Morresse, em cada pedasso mal vivido um sorriso que fora dado, as maos desdadas, o corpo desnudo esperando a proxima vez em que se há de poder construir – de areia – a casinha de princesa novamente. Espasmo. Respira. Respira. Respira. Trauma. Calma. Cautela. De novo:

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Descordada, desacordava se ouvia uma resposta por que não podia a pergunta. E dirigindo a divergência sempre pro fundo. Buraco da alma em que se recicla os fatos... Mãos. Nãos. Pés. Corpos que pela ausência de entrecaixes se entrebatiam. Choque. Respira. Respira. Respira. Trauma. Calma. Cautela. De novo:

...

Olhava as beiras a esmo. O beiral que continha em si, defecado pelos pardais que a rondavam, sujavam-na mais que qualquer outro olhar que vinha de dentro. Máscara. Relutava, as vezes, o silencio que não tinha. Um não querer quase querido. Res pira. Res... pira, ... pira. Trauma. Calma. Cautela. De novo:

domingo, 17 de julho de 2011

Óbulo

De minha insuficiencia nasce o que em ti floresce;
Refletido desejo em imagens num espelho gris;
E morre, meu inverno em teus laços, braços que,
Primeiro, tão amargos e agora já nem sei.
Descansa em mim esse teu corpo tão fugaz
Que já nem o vejo, pois que quando o vi
Já se havia ido sem chegar e me doer.
Canta a inflorecencia de uma ultima canção ardente,
Tão veemente - em primaveras - quanto o cri,
Ao estar abraçada, bem juntada, em teu verso e paladar;
E, ali, entregada a cada suspiro teu pra não partir.
Depois em cada hiato ou interstício inexato o cria,
Cada vez, bem mais ainda, por saber do teu saber voltar.
Pois  volta pro meu ar se transformar ameno
Tão suave e tão pequeno  e sem final...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hiato, espasmo e coca-cola

Conversa.
(-)

Essa incoerência social deve ser uma daquelas patologias que o naturalismo se lembrou de estudar. Uma hipocrisia danada, cheia de vaidade e de mal humor. Tão hedônicos, mas tão individuais. Espelho... Poesia beat sem poesia.

Um reflexo pela metade. Verso espectral do que não é: ausência. São tão ausentes de si, tão incapazes de dar-se o prazer de sua nada dígna companhia... Imagens refletidas de doença, de um olhar nao mais que olhar-se. Desse olhar que se introverte e nada vê, tão vazios veem-se os vagueantes. Sem algum lirismo que os capacite ver a vida mais suave, com todas as suas idiossincrasias e, ao mesmo tempo, com tanta violência simbólica.

Vagos, imprecisos. É que nao precisam nem precisam. Vão sendo assim... Uma fragilidade de auto-suficiência produzida em série, sofrendo a pederastia da superficialidade, a flacidez da nao sensorialidade e o império da propriedade mais que privada em que o Ser fora dividido. É que só podem ser pra si... nada muito além disso.

Aliás, o além tampouco existe nesse tipo de vocabulário que vive num hiato, num espasmo, numa bolha de gás habitando os confins de uma garrafa de coca-cola. "Cloaca". Mais profundo que isso é impossibilidade, já que pouco podem pela falta de querer... 

Essa preocupação insensata com o nao-pensar alheio pra manter a falsa imagem que o falso moralismo mandou ter... E entregar o cartão de visita -  mastigado pelo cachorro da amante - à esposa e aos filhos e dizer-se tão sensível a ponto de fazer poesia...

Carnificina: oficina de gente morta comer gente viva. Cozinha nada elegante de comadres fornicando a vida alheia e inseminando sêmens em vaginas erradas... Antros perdidos em Atenas ou aqui... Longe. Distância.

Decepção e medo.



E, ah! de que adianta?


Sociedade antisinestésica (e acredite, isso não é nome de remédio. Mas se possível leiam a bula!).
Quem sabe uns 5 minutos de futilidade,  umas 24 horas de ausência, de  hibernação. Uma meia hora de insanidade, umas 10 horas de vulgaridade, uns 15 dias de esquecimento pra se adequar às novas tendências da vida "moderna"???

domingo, 10 de julho de 2011

Aviso



Máscara maquinaria: sossego.
Não quero mais a dor inapta
Do ego desregrado e animal.
Peço à última fagulha cadente
Que acenda a vela escura
E feche a porta.
Assistamos a ultima aurora
Antes de partir as partes.
E repartir em partes a espera
A inelutável manhã que a noite,
Ansiosamente, se perfaz...
Peço também que antes de sair
Apague a vela, a fim de que
Nunca mais nos esperemos...


É que a espera dói e não conserta o que não foi.
Escorre desaguando mar a dentro (sucu)lentamente
Desfazendo, ademais, cada nó feito e já desfeito
No parapeito do alpendre de minhalma não lavada,
Tão amena quanto o inverno que teu outono me causou.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Casmurrice















Obnubilar a retina quando ver passagem:
Desassossego hermético que anseia o vôo.
Um quebra-mola pra quebrar o passo,
Um arvoredo pra amparar a polis
E o desespero de quem espera o pouso.
Silêncio... ávida vista de quem quer saltar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Obstante.



Descanso no ocaso, desmesurado de plâncton: algas marinhas incendiavam a névoa espumante. Amargo. Era o silencio dos passos diante da distância... tão próxima da bica de água, da fonte parada que espera alguém que a seque. Ela, que nunca havia de secar... Mas esperava que alguém tentasse. Intentava a paisagem que não conseguiu pintar.
Uma rede balança o sono. Saculeja os últimos instantes de um atentado de paz. Estopim da passagem: um passageiro que não conseguiu subir. Era o rubor da natureza gritando a pincelada, dizendo que alguém mais uma vez falhara. E falhava...
De novo – com ti, nua, deleite. Um copo de leite intragável. Nem mesmo as narinas conseguiram, depois de uma respiração bem funda, beber sua água e sua cal. Soprara nela o pó. A água evaporava. E o pincel entrecortava estes hiatos na tentativa de qualquer abstração ou academicismo... Mas, não.
Amargo. A bile, ácida, lutava à força da gravidade. Um céu vomitado de espumas. É o que vê a fraqueza.


Em prol da desunanimidade humana,
façamos um bem: não pensar tanto no
próximo, talvez. Não por nós, mas por eles.
Declaraçao de intolerância com a intolerância
alheia.

"Para sondar o inferno ou elevar-se angélico , tome uma pitada de psicodélico" - Huxley