quarta-feira, 22 de junho de 2011

Gastronomia


O inverso do teu verso me agrada;
Consome as ultimas horas em que
Verto teu paladar, e me alimento
Fomento as ultimas figuras

que teu vento

Traz,

Em palavras,

Traça de chuva que não quis cessar.

Anda, com calma de pressa:
Meu agreste parado contempla
A asa infinita que tem teu ar

Que respiro

Fundo...



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Se eu compreendesse,


Vi ver em face holocáustica a hora,
O restar da cal, do pó, do sopro.
E depois o sufoco erético do vômito.
Viver a face da lástima; do que ficara.
Racionalizar a desonra do homem
- divino,
Pisando a natureza clorídrica do que é
(perene);
E eternizar o som etílico - que persiste
A tocar o liquido chamado insólito do rio.
Depois rir ao molhar-se nas águas secas
Depois de quebrar as secas folhas da existência
(...)
Depois de depois, e, no tardar da máxima fineza
Dançar a valsa do inquebrantável dessentido
Em que toda cor e som ficaram extáticos
Quando os olhares sublimaram-se em
Sal e Névoa.

Vou-me, tá?



Respirar líquido e algo preso na garganta. O gargalo da alma se fechava aos poucos... (RES)pira. (INS)pira. TRANS pira. Relutara o fogo da pira, mas a cremação insistia. Era solitude infinita e o escuro que, sem dimensões, confortava quase num alívio... alívio de vida. As mãos começaram a sentir angina. Os fios de cabelo perdiam o ritmo do batimento cardíaco. O Estômago mastigava o vômito. A queimação insistia.
A carótida já nodosa e o leve formigamento do (não) ser despertara a insônia. Neuropraxia cerebral.  Optar pelo sol em se pôr seria um consolo à alma. À perturbação. Paisagem sublime, infinita em todo horizonte. Espasmos: orgasmo estomacal. Ejaculação precoce: ácido clorídrico é o ferormônio do amor a ti.

                                - e dói tanto essa coisa de alma inquieta. Como se o demônio pactuava ali um contrato... E sob coação moral assinasse outro nome. Coar a alma, escoar a vida. –
                                -  e dói tanto essa coisa de pensamento moleque...
(...) Ouvira a buzina. Era a combi! A escola chamava. Desenha aqui menina. Qual é o desenho? Não é um desenho. É um retrato. Retrato. Que lindo. De quê? É um desenho. Desenho? Retrato de um desenho que eu vi. Como era o desenho? Eu não sei. Estava dormindo – Espasmo. – E como você viu dormindo? Quem disse ver dormindo, tia? Você disse. Não eu não disse. O que você disse? Eu não sei. Posso segurar sua mão? Pode. Mas você vai soltar? Um dia eu vou ter de soltar. É... Eu sei. Isso é tão decepcionador...  Decepcionador? Inventei agora, tia. Você é especial... (...)
... Cada hora em um lugar. Precisar é algo certo ou necessário. É preciso a vontade de ir. É também a de vomitar. Se é necessário... Título.
Medo de pisar o chão. Dome. Sinestésicamente, a anestesia fazia efeito: cerrar os olhos, e deixar-se pegar por vários homens. Fizeram-na um autoabraçar-se. Autuação racional pra almas que voam longe demais.

Amor (a) Ti




O espaço entre o aqui e o chão é a vertigem... Tonteira debruçada no olhar para a vida e não ver o salto. Um suicídio com arma branca, tão alva quanto a vontade de não estar no toque, plano-esférico-helicoidal, presente.

Pois o tempo não verte a saudade do que ainda não foi, não passa o riso tristonho de quem espera o viver. Cansa-se dele pedindo pelo avital cuja essência inconsistente consiste em uma orquídea que fenece, não pela falta de cuidado, mas pelo excesso dele. Planta cativada pelo outro campo... Aquele em que não estivera; não estava. Impulso...
Em pulsos, empunhada, empenhada. O desespero gritara como pensamentos perdidos em meio a noite passada em branco. Fogo brando quase frio. Quase apagado. Pagado o fardo, a fadiga, o cansaço. Daí o mendigar inconstante por aquilo que –a aparência – fazia tê-lo, e não tinha. Não.
Chega, então, a dúvida. Dívida a pagar consigo. Ou a pagar de si. Era apagar de si: a dívida e a dúvida. Entretanto, indelével que era, ficara. Dívida duvidosa, dúvida cara, duvidosa dívida, dívida barata. Põe o salto alto, salta sem ele e tira o salto do salto e põe no alto. Por que não é coisa de criança brincar, uma vez a mãe ensinara. Incinerara? Chega.
Mas quem? Não, chega. Não chega, não. Somente pára. Para pensamento, para vertiginosamente o olhar paralelo ao paralelepípedo. Dispara, todavia, coração em escorregadia via, devido aos pneus descabelados. Não via a via, todavia, desvia e sal...
Tá. Quase palavra incompleta, fosse a não idéia de quase sê-la. Serena e bela não era Raquel, filha de Labão. Portanto, não era poesia, tampouco prosa. Era crônica sem crônica. Sincrônica. Dessincronizada. Croniesia do desespero. Espero.