quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sinfônica dos vinte anos



Gota a gota, pingo vidas dispersas e me dilúvio em tréguas
Disparo.
Folha que amarela-caduca desprega lentamente, caindo...
O tempo vai levando-a... molhando, secando, molhando...
Canoa que segue o curso do rio, à deriva de espaço, rio.
No canto da boca um sorriso em canoa e uma lágrima
                                                    [em que navega].

Soturno



Chove na soleira anímica
Despertador .Toca
A impressão soturna. Luz.

(Haikai n.9)

Ágata



O céu se põe na estrada
Diluída a luz
A noite se inicia n’água

(Haikai n.8)

Modal



Verão, à chuva, renascer
Paisagem liquida
Respiração melódica

(Haikai no 7)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Famigerar



Tenciona as veias do corpo
como quem nelas não quer sangue mais ter
Tensão premeditada em cadeia
                Em vista de segundas intenções latentes
Tesão multifacetado em diversos orgasmos
                De tanto amor, de tanta boa vontade
Teresa, ah Teresa, mal sabes que sobre a mesa
                Ponho o sol, te sirvo o mar e me deságuo
Tigresa, não ponha garfos, facas, pratos, copos
                Tudo assim tão arrumado: ponha tudo e pronto

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pintura de uma página em Branco:



Deflagrar a flor é deflorar o inexato instante em que se desfez
Faz em última cadência a cândida antemanhã de insensatez
Tenaz olharidade descascada, assim despida, de interior
Entre e sinta-se à vontade “qual foi a instância em que
Pararam minha estação?”
Esta última primavera a qual me refiro, partida e tripartida
Em três partes não ambíguas de furor, tresvario e paz...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Diverticulite



Coada, escoaram-me pra cá
Muros altos, sacada ainda mais
Silêncio invaginado num riso
Sem corpo, sem gesto, com eco
Você que tem acesso às masmorras
(Tão minhas), mas não quer tirar-me
Trazer à tona do meu cabideiro
As velhas roupas, aqueles trapos
Os farrapos em cujas lembranças
Farroupilhas fizemo-nus...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Metafísica



Num regurgito cogitou um fato
Num precipício hesitou o trem
De imediato, assim, de ato em cascos
Agitou a hora e fez sem demora -
Sem balançar bem...
Vomitou a falta de um ar do céu
Negou lembranças de um sono zen 
Viajou de volta pro corpo que agora
Encontrou, na encosta, o mesmo silencio
Que por tanto tempo atemorizou.
Foi de tempo em tempo que então
Fermento num azedume intenso
Exalou o cheiro do teu desamor.
E calou a casa sem trancar a porta
E quebrou o vaso onde havia flor.

sábado, 5 de novembro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Eu, Lírico



Pareço hiato, algo de inexato
Pereço em espasmo, vertente...
Barro em bico de João de Barro
Carro de boi puxado pela chuva
Sentido horizonte-norte
Infundida na chaleira frigida.
em água, sendo feita de chá.
Mordida pelo por do sol,
Encantada pela noite -
Em seu leito –
Esperar a ante-manhã
Que antepõe o olhar
Tocador da cítara que mela o dia
Que musicaliza o verso
Do ressurgir
Na fumaça
De um
Camel:
(Malbec)
Bom corpo, cor escura e tânico...

sábado, 24 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Saudade



Quero um tanto de amor
e um pouco de nada

Letargia


Com a pressa vem a vida calma de uma vida inteira. O riso certo de incerteza quanto ao minuto que irá seguir. Morre sem saber o que virá depois. Saudade de uma vida inteira que vem calma. A incerteza do riso certo de quem vê partir o minuto adiante... Morre dela sem saber se ele virá depois... 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estrado



Poe-se o sol no meu falar cansado
Rindo céu-da-boca ladeira abaixo
Nas cores que cabem nos olhos...
Sol no quarto que cabe na sacada
Varanda de minha’alma, adentro
Levando teu calor que mais preciso:
O teu calor do motor do carro,
A (te) viajar...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Litígio



Arrasto um arresto de mim mesma
Eu, bem, esparsa e diluída no dilúvio
De minha alma corrente.
Moro no gosto do ar, pau-a-pique
Na casa que a vida sopra serena
E mordo a alma...
Devo um silêncio quando falo
Pensando no inverso do que falo
E como falo...
...
Arresto minha alma por que devo
Arrastada entre vírgulas de aspas
Esporo o tempo
À galope.

domingo, 28 de agosto de 2011

Perfil




Sobre mim, somente o céu. A inquebrantável certeza de que há uma irresvalável dúvida dizendo respeito àquilo que nao fora intenso.
A saudade, o tempo -talvez-, a natureza (por certo), a Amizade, acima do além... Um escutar, um bem falar... O beijo, o abraço, o toque. No vento... Despida de tudo...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Falo


Nu, traz pra mim um verso virgem;
Tão puro quanto o nosso tempo...
Vem, na mansidão das vagas horas
Que desfilam no desfiladeiro
De minha’alma, tão chorosa
- De saudade.
Fala o meu silêncio no teu corpo
A minha inércia que te abriga
Em tantos e todos os olhares
Em fulgores alhures infinitos
Conta , então, à prosa
Minha vida que tua mão carrega,
Desfiando meu sorriso em
Mais sorrisos de você...
Figura: os beijos - Rodin

terça-feira, 19 de julho de 2011

Desenvolvimento


Morresse, em cada pedasso mal vivido um sorriso que fora dado, as maos desdadas, o corpo desnudo esperando a proxima vez em que se há de poder construir – de areia – a casinha de princesa novamente. Espasmo. Respira. Respira. Respira. Trauma. Calma. Cautela. De novo:

-

Descordada, desacordava se ouvia uma resposta por que não podia a pergunta. E dirigindo a divergência sempre pro fundo. Buraco da alma em que se recicla os fatos... Mãos. Nãos. Pés. Corpos que pela ausência de entrecaixes se entrebatiam. Choque. Respira. Respira. Respira. Trauma. Calma. Cautela. De novo:

...

Olhava as beiras a esmo. O beiral que continha em si, defecado pelos pardais que a rondavam, sujavam-na mais que qualquer outro olhar que vinha de dentro. Máscara. Relutava, as vezes, o silencio que não tinha. Um não querer quase querido. Res pira. Res... pira, ... pira. Trauma. Calma. Cautela. De novo:

domingo, 17 de julho de 2011

Óbulo

De minha insuficiencia nasce o que em ti floresce;
Refletido desejo em imagens num espelho gris;
E morre, meu inverno em teus laços, braços que,
Primeiro, tão amargos e agora já nem sei.
Descansa em mim esse teu corpo tão fugaz
Que já nem o vejo, pois que quando o vi
Já se havia ido sem chegar e me doer.
Canta a inflorecencia de uma ultima canção ardente,
Tão veemente - em primaveras - quanto o cri,
Ao estar abraçada, bem juntada, em teu verso e paladar;
E, ali, entregada a cada suspiro teu pra não partir.
Depois em cada hiato ou interstício inexato o cria,
Cada vez, bem mais ainda, por saber do teu saber voltar.
Pois  volta pro meu ar se transformar ameno
Tão suave e tão pequeno  e sem final...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hiato, espasmo e coca-cola

Conversa.
(-)

Essa incoerência social deve ser uma daquelas patologias que o naturalismo se lembrou de estudar. Uma hipocrisia danada, cheia de vaidade e de mal humor. Tão hedônicos, mas tão individuais. Espelho... Poesia beat sem poesia.

Um reflexo pela metade. Verso espectral do que não é: ausência. São tão ausentes de si, tão incapazes de dar-se o prazer de sua nada dígna companhia... Imagens refletidas de doença, de um olhar nao mais que olhar-se. Desse olhar que se introverte e nada vê, tão vazios veem-se os vagueantes. Sem algum lirismo que os capacite ver a vida mais suave, com todas as suas idiossincrasias e, ao mesmo tempo, com tanta violência simbólica.

Vagos, imprecisos. É que nao precisam nem precisam. Vão sendo assim... Uma fragilidade de auto-suficiência produzida em série, sofrendo a pederastia da superficialidade, a flacidez da nao sensorialidade e o império da propriedade mais que privada em que o Ser fora dividido. É que só podem ser pra si... nada muito além disso.

Aliás, o além tampouco existe nesse tipo de vocabulário que vive num hiato, num espasmo, numa bolha de gás habitando os confins de uma garrafa de coca-cola. "Cloaca". Mais profundo que isso é impossibilidade, já que pouco podem pela falta de querer... 

Essa preocupação insensata com o nao-pensar alheio pra manter a falsa imagem que o falso moralismo mandou ter... E entregar o cartão de visita -  mastigado pelo cachorro da amante - à esposa e aos filhos e dizer-se tão sensível a ponto de fazer poesia...

Carnificina: oficina de gente morta comer gente viva. Cozinha nada elegante de comadres fornicando a vida alheia e inseminando sêmens em vaginas erradas... Antros perdidos em Atenas ou aqui... Longe. Distância.

Decepção e medo.



E, ah! de que adianta?


Sociedade antisinestésica (e acredite, isso não é nome de remédio. Mas se possível leiam a bula!).
Quem sabe uns 5 minutos de futilidade,  umas 24 horas de ausência, de  hibernação. Uma meia hora de insanidade, umas 10 horas de vulgaridade, uns 15 dias de esquecimento pra se adequar às novas tendências da vida "moderna"???

domingo, 10 de julho de 2011

Aviso



Máscara maquinaria: sossego.
Não quero mais a dor inapta
Do ego desregrado e animal.
Peço à última fagulha cadente
Que acenda a vela escura
E feche a porta.
Assistamos a ultima aurora
Antes de partir as partes.
E repartir em partes a espera
A inelutável manhã que a noite,
Ansiosamente, se perfaz...
Peço também que antes de sair
Apague a vela, a fim de que
Nunca mais nos esperemos...


É que a espera dói e não conserta o que não foi.
Escorre desaguando mar a dentro (sucu)lentamente
Desfazendo, ademais, cada nó feito e já desfeito
No parapeito do alpendre de minhalma não lavada,
Tão amena quanto o inverno que teu outono me causou.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Casmurrice















Obnubilar a retina quando ver passagem:
Desassossego hermético que anseia o vôo.
Um quebra-mola pra quebrar o passo,
Um arvoredo pra amparar a polis
E o desespero de quem espera o pouso.
Silêncio... ávida vista de quem quer saltar.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Obstante.



Descanso no ocaso, desmesurado de plâncton: algas marinhas incendiavam a névoa espumante. Amargo. Era o silencio dos passos diante da distância... tão próxima da bica de água, da fonte parada que espera alguém que a seque. Ela, que nunca havia de secar... Mas esperava que alguém tentasse. Intentava a paisagem que não conseguiu pintar.
Uma rede balança o sono. Saculeja os últimos instantes de um atentado de paz. Estopim da passagem: um passageiro que não conseguiu subir. Era o rubor da natureza gritando a pincelada, dizendo que alguém mais uma vez falhara. E falhava...
De novo – com ti, nua, deleite. Um copo de leite intragável. Nem mesmo as narinas conseguiram, depois de uma respiração bem funda, beber sua água e sua cal. Soprara nela o pó. A água evaporava. E o pincel entrecortava estes hiatos na tentativa de qualquer abstração ou academicismo... Mas, não.
Amargo. A bile, ácida, lutava à força da gravidade. Um céu vomitado de espumas. É o que vê a fraqueza.


Em prol da desunanimidade humana,
façamos um bem: não pensar tanto no
próximo, talvez. Não por nós, mas por eles.
Declaraçao de intolerância com a intolerância
alheia.

"Para sondar o inferno ou elevar-se angélico , tome uma pitada de psicodélico" - Huxley

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Gastronomia


O inverso do teu verso me agrada;
Consome as ultimas horas em que
Verto teu paladar, e me alimento
Fomento as ultimas figuras

que teu vento

Traz,

Em palavras,

Traça de chuva que não quis cessar.

Anda, com calma de pressa:
Meu agreste parado contempla
A asa infinita que tem teu ar

Que respiro

Fundo...



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Se eu compreendesse,


Vi ver em face holocáustica a hora,
O restar da cal, do pó, do sopro.
E depois o sufoco erético do vômito.
Viver a face da lástima; do que ficara.
Racionalizar a desonra do homem
- divino,
Pisando a natureza clorídrica do que é
(perene);
E eternizar o som etílico - que persiste
A tocar o liquido chamado insólito do rio.
Depois rir ao molhar-se nas águas secas
Depois de quebrar as secas folhas da existência
(...)
Depois de depois, e, no tardar da máxima fineza
Dançar a valsa do inquebrantável dessentido
Em que toda cor e som ficaram extáticos
Quando os olhares sublimaram-se em
Sal e Névoa.

Vou-me, tá?



Respirar líquido e algo preso na garganta. O gargalo da alma se fechava aos poucos... (RES)pira. (INS)pira. TRANS pira. Relutara o fogo da pira, mas a cremação insistia. Era solitude infinita e o escuro que, sem dimensões, confortava quase num alívio... alívio de vida. As mãos começaram a sentir angina. Os fios de cabelo perdiam o ritmo do batimento cardíaco. O Estômago mastigava o vômito. A queimação insistia.
A carótida já nodosa e o leve formigamento do (não) ser despertara a insônia. Neuropraxia cerebral.  Optar pelo sol em se pôr seria um consolo à alma. À perturbação. Paisagem sublime, infinita em todo horizonte. Espasmos: orgasmo estomacal. Ejaculação precoce: ácido clorídrico é o ferormônio do amor a ti.

                                - e dói tanto essa coisa de alma inquieta. Como se o demônio pactuava ali um contrato... E sob coação moral assinasse outro nome. Coar a alma, escoar a vida. –
                                -  e dói tanto essa coisa de pensamento moleque...
(...) Ouvira a buzina. Era a combi! A escola chamava. Desenha aqui menina. Qual é o desenho? Não é um desenho. É um retrato. Retrato. Que lindo. De quê? É um desenho. Desenho? Retrato de um desenho que eu vi. Como era o desenho? Eu não sei. Estava dormindo – Espasmo. – E como você viu dormindo? Quem disse ver dormindo, tia? Você disse. Não eu não disse. O que você disse? Eu não sei. Posso segurar sua mão? Pode. Mas você vai soltar? Um dia eu vou ter de soltar. É... Eu sei. Isso é tão decepcionador...  Decepcionador? Inventei agora, tia. Você é especial... (...)
... Cada hora em um lugar. Precisar é algo certo ou necessário. É preciso a vontade de ir. É também a de vomitar. Se é necessário... Título.
Medo de pisar o chão. Dome. Sinestésicamente, a anestesia fazia efeito: cerrar os olhos, e deixar-se pegar por vários homens. Fizeram-na um autoabraçar-se. Autuação racional pra almas que voam longe demais.

Amor (a) Ti




O espaço entre o aqui e o chão é a vertigem... Tonteira debruçada no olhar para a vida e não ver o salto. Um suicídio com arma branca, tão alva quanto a vontade de não estar no toque, plano-esférico-helicoidal, presente.

Pois o tempo não verte a saudade do que ainda não foi, não passa o riso tristonho de quem espera o viver. Cansa-se dele pedindo pelo avital cuja essência inconsistente consiste em uma orquídea que fenece, não pela falta de cuidado, mas pelo excesso dele. Planta cativada pelo outro campo... Aquele em que não estivera; não estava. Impulso...
Em pulsos, empunhada, empenhada. O desespero gritara como pensamentos perdidos em meio a noite passada em branco. Fogo brando quase frio. Quase apagado. Pagado o fardo, a fadiga, o cansaço. Daí o mendigar inconstante por aquilo que –a aparência – fazia tê-lo, e não tinha. Não.
Chega, então, a dúvida. Dívida a pagar consigo. Ou a pagar de si. Era apagar de si: a dívida e a dúvida. Entretanto, indelével que era, ficara. Dívida duvidosa, dúvida cara, duvidosa dívida, dívida barata. Põe o salto alto, salta sem ele e tira o salto do salto e põe no alto. Por que não é coisa de criança brincar, uma vez a mãe ensinara. Incinerara? Chega.
Mas quem? Não, chega. Não chega, não. Somente pára. Para pensamento, para vertiginosamente o olhar paralelo ao paralelepípedo. Dispara, todavia, coração em escorregadia via, devido aos pneus descabelados. Não via a via, todavia, desvia e sal...
Tá. Quase palavra incompleta, fosse a não idéia de quase sê-la. Serena e bela não era Raquel, filha de Labão. Portanto, não era poesia, tampouco prosa. Era crônica sem crônica. Sincrônica. Dessincronizada. Croniesia do desespero. Espero.