segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Desmistificação

Anoitecem os sentidos:
Pois que a alma esvazia-se
Esvaia-se.
Pois que todo misticismo insuficiente é
Para os que dormem de olhos abertos
Para os que assistem a noite chegar –
De olhos abertos –
Neutralizando as impressões
Existentes na latência do gesto,
Do gosto, do sentido,
Do emudecimento desnutrido
Pela inteligêcia sobre-humana
Da emoção sobre-existêncial

Sobre a não-vida que nos habita.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

... se dissolve ar!

Ter fome de palavras é não consumi-las para satisfazer-se;
É desesperadamente não querê-las por delas ter vontade em demasia.
Pinto-as, não as fotografo. Penso-as desneurologicamente.
Evito o choque penetrando-as e nunca volto:
Morro em palavras e as vivo sem despertar-me
Que é pra não (des) conectar de seu sentido.
Que é pra revelar o imagético afastando-o do real.
Rejeito a inversão e o contrário,
A tenacidade do elo.
Igualdade social, te rejeito como faço às minorias.
Zelo pelo natural estado das coisas
Posto que a tecnologia fez ruir o homem.
Já tudo sendo sólido... Tão sólido...





Dedicado à Ranciére, apesar de toda culpa que carregamos pelo sentimento de mundo que vivemos... apesar de toda nostalgia invertida ou desfeita pela falta de nostalgia que temos ou não temos ao assistirmos o fazimento do desfeito, a construção do desconstruído, sem culpa de irmos vivendo...

domingo, 14 de abril de 2013

Desconsideração da Personalidade Física

Se eu pudesse me autocriticar, diria que me falta um pouco menos de mim e um pouco mais de mundo... O único problema seria separar e distinguir essas duas coisas. Mas, enfim...

É que perguntaram-me o que tinha escrito ultimamente. Eu disse que dei um tempo na vida de poeta pra poder experimentar a poesia.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Hidroponia.

Só o que trago, em mim, é inconstância...
Sentei-me no ponteiro do relógio,
Vi-o acelerar, para frente, bem rápido...
E raptada por um poema épico - olhos abertos.
O herói fugira.
Gangorrei, sentada na âncora do Navio,
Contando histórias sobre a água...
A liquidez dissolvera os fatos.
Vi-o, a partir de um momento cego,
Vi-o acelerar para trás.
E só o que trago em mim é inconstância...

Na encruzilhada, quatro caminhos segui.
Dois se perderam. Os outros dois também.
Zeraram o relógio. Esvaziaram-no.

Na encruzilhada, quatro caminhos segui.
Dois se perderam. Os outros dois, também?
De que são feitos os caminhos?

De pedras duras... piche preto, bem negro.
Preciso voar... nadando um salto em queda livre.
Mar, adentro. Céu a dentro.

Adentro-me.
Vejo o ponteiro vazio, a âncora nivelada.
Quatro caminhos, perdidos...

Não preciso de bússola.
Não preciso a vida, mas deveria.
É assim que vivem os homens...

É assim que vivem os homens.
E eu, mulher do cais, faço carregamentos.
Não me carrego, no entanto...
Eu, mulher do cais, 
Que sabe onde chegar, 
Mas não consegue partir.

Migalhas de possibilidades.

Reparto-me. Não me remonto. Não agora.
Porque o vento me sopra em pedaços
(migalhas)
E semeia minha infertilidade hidropônica.